terça-feira, 24 de janeiro de 2012

olha os peitos daquele anjo

anjos á deriva
á paisana
de mini mini saia
com maços de cigarro pela metade num bolso
três ou quatro isqueiros roubados num outro

anjos de chinelo
trajando paz,
mascando flor de cacto, carregando uma sacola
te oferecendo uma bola
te passando um trago

anjos campestres
mostrando as trincheiras do pasto
em que merda nasce qual cogumelo

e uma coruja que pousa
é um anjo que voa

e anjos campineiros puxando o carro
pagando caro pela liderança precoce de suas próprias vidas
pagando o preço de serem ouvidos nas reuniões do sindicato

mas é isso
em suma
anjos
sem asas
sem rasantes
sem aureolas
ou brilhantes

as bases livres
os páreos vazios
os bares lotados

anjos que vivem num tempo diferente do seu
num tempo aonde é muito cedo pra beber e muito tarde para o circo

circunspectos e radicais
anjos ninjas atravessando a augusta a ponto de bala
eletretricistas da concórdia
digníssimos que estalam na ponta dos dedos o ritmo do funk delícia

a vergonha não pertence
de jeito algum
a milícia terrestre dos anjos de férias das regras do céu

(alías,
regras?)

se você não as segue
elas não existem

quem me disse isso foi um anjo
uma anja no caso
e nem sei se o feminino de anjo é anja
e de elefante?
é elefoa?
também não sei/ o feminino das coisas sempre tão muquiado,
mocozado até o osso

anjos que um dia acordaram e resolveram virar mulher

acontece
e acontece muito
por isso, não foda com a vida de um anjo
eles não vão fuder sua vida de porco espinho por pena de galinha d´angola

e quando um anjo tem pena,
um anjo chora

e quando um anjo chora,
choram todos os anjos

e ai é chuva, muita chuva

e nem adianta orar em nome de são pedro

nesses dias de anjos tristes ele vira discostas e chora junto...
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