sábado, 14 de janeiro de 2012

há que duvidar sempre

duvide até mesmo da dúvida

um benefício para a alma

uma sopa de lucidez

uma lufada de consciência

essas coisas que cheiram a flor de laranjeira

não se esqueça

dor de barriga é bom para lembrar

temos cu e ele caga fedido

não adianta cortar os pulsos

nem as flores do meu jardim

respeite a merda alheia para entender a merda própria

hoje eu amo uma menina

hoje eu amo uma menina que mora na menina que eu amo

duvida disso?

então estamos juntos

nem eu acredito em mim

porque catso eu quereria que você acreditasse?

ah

desconfiança é uma criança bárbara

desconfie da sua sombra, irmão

a rasteira é irrestrita e pode vir do seu coração

não caia sem saber que o mundo é fundo

verdade indissolúvel

verdade verdadeira dessas que balançam suas missangas na fuça da nossa coragem de sermos o que somos todos os dias

o mundo fundo e você aí
contando arroz
separando feijão

a vida tem uma dívida com essas pessoas que não vivem

ela custuma cobrar com inanição e morte

zumbis espalhados por aí

fingindo que se importam, que amam, que transam e gozam

eu dúvido e dúvido muito

quieto e atento

revoluciono os astros e tropeço nas estrelas

como há de ser

em casa de menino de rua o último a dormir apaga a lua:

AMOR

COM
FUSÃO


e por aí vamos
tropicando no desejo e na vontade de gritar bem fino para acordar os vizinhos e os cachorros do vizinho

todo mundo de pé para assistir um sorriso sincero

gozei

gozei gostoso com você


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