segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

When You Awake



Ollie told me I'm a fool.
So I walked on down the road a mile,
Went to the house that brings a smile
Sat upon my grandpa's knee, And what do you think he said to me?

When You Awake you will remember ev'rything,
You will be hangin' on a string from your...
When you believe, You will relieve the only soul
That you were born with to grow old and never know

domingo, 13 de dezembro de 2009

sabe o mundo? é sempre tom waits



the band is playing in my garden
and all the world is blue
***
à espera de tom e uma música de se matar.
antônio espera, mas você não.
e aí vai e se atira pela janela, mas é só o primeiro andar e se matar se jogando do primeiro andar é o mesmo que não se matar.
na geladeira só cerveja e na cozinha o blues e as batatas sorriso perfiladas no extenso largo de aço inox da assadeira - e inox é o quê mesmo, Ana?- e o kibe louco fritando no óleo matando o boi mais uma vez e o arroz papado esquentando de tabela ao lado da frigideira e você pensa - cadê meu uísquinho mesquinho, porra?
na vida só amenidades, na rua um montão de carros, no banco um milhão de tarifas e juros e coisinhas vermelhas e extratos mal criados e você nem pensa mais nessas coisas.
o disco acaba, você não programou o repeat e realmente não importa, a má sorte não te mata.
a guitarra agora em silêncio continua sendo nos azulejos brancos fosforescentes do banheiro vestido de privada roxa calçado de chão gelado e na cesta de revistas nenhuma revista - por lá Snoopy no mundo da lua & a literatura comentada de Dalton Trevisan & os traços doentios de Alan Moore e nem o dedo na garganta cura tua azia/
teu corpo só devolve catarro para o mundo e você quer mais:
quer morrer.
mas só catarro.
então você desiste de sentar no chão do banheiro, pensa no glamour e em como ele fede, tenta dormir e nos sonhos a morte vem muito mais fácil.
então uma hora você acorda e com duas ou três piscadas de olho já volta a existir.
aqueles que chegam do norte não trazem sal de fruta, tudo bem
não tem mais blues nem cerveja nem azia e o uísque segue fazendo falta.
você lembra de todos os destilados da sua vida e lembrar não te deixa embriagado
nem revoltado
nem na fissura
simplesmente não. não tem.
podia ser difícil, mas incrivelmente você lida bem com a sobriedade.
1 kg de bis te esperando e a lembrança da azia.
você percebe como é bom não estar no poço do poço do poço
podiam ser calafrios, mas é só a lembrança da azia.
não encontra mais o sono,
resolve por bem existir
& ouvir bob dylan, amanhecer com o dia, acompanhar 4 posições climáticas do céu,
arrumar toda a sala dançando com a vassoura de um jeito que o fio cumprido do fone de ouvido não enrroscasse em nada, recorrer a geladeira & traçar um toddynho de um só gole.
prefere o colesterol alto à cirrose hepática.
aquela história de não se deixar incorporar pelas coorporações invisíveis.
não é por que você lê bukowski que concorda com apostar nos cavalos, com doses cavalares, com a estima da altura de um joquei.
lê bukowski pois ele é um nenênzinho cheio de amor.
.
.
.
minha baixa auto estima anda em alta [vírgula em descanso]
eu amo.

morte ao super ego e outras bobagens

bloco de notas transcrito

Em música, transcrição é o ato de notar uma peça ou um som que era anteriormente não-notado.
O termo 'transcrição' também veio a se referir ao ato de arranjar música que originalmente era escrita para um instrumento ou grupo de instrumentos de forma que possa ser executada por outro instrumento ou grupo de instrumentos. O último significado é quase sinônimo de arranjo.
.
.
...

\0/
< >
- ! -
e aí chove e para e começa outra vez
e o sol ali todo bobo, inerte ao movimento circunflexo das gotas
e a gente aqui tudo besta, na ginástica do guarda chuva
(deixemos todos pendurados/
nada mais charmoso do que um guarda chuva bem pendurado)
também, ah, com o perdão da metalinguagem, é sensacional o barulho frenético de um teclado
nobody feels anything
and
this is pain in here
I can't stay in here
Ain't it clear that--
mas passa, sempre passa:
soprando uma pianola encostado na janela: fumando o cigarro escolhido entre outros 19.
como eu posso matar as lagartas que devoram meu jardim se eu fico tão feliz quando vejo uma borboleta amarela?
como eu posso matar o meu pai e casar com a minha mãe se eu nunca fui com a cara do édipo?
god,
why are you so hard?
Like a poor fool in his prime,
Yes, I know you can hear me walk,
But is your heart made out of stone, or is it lime,
Or is it just solid rock?
eu perco meu tempo por você, espero que você possa vir um dia desses.
e se você vier, eu te levo aonde eu sei que você quer ir.
.
.
.
imagine eu, sabendo aonde deus quer ir/ bobagem, eu mesmo posso digitar em cima do bruno e ele nem sente cócegas.
o uno azul segue intacto e inconversível esperando para a fuga número 9/
sem cavalos alados na versão um ponto zero de si mesmo.
relincha cilandradas nas mentes inchadas de flashs automáticos

espere por nós e então a gente pula qualquer hora dessas por dentro das suas duas portas, no seu estofado esfumaçado, no seu painel um bordel, no seu para brisa um catalisador natural de brisa, na sua traseira uma mordida embriagada, na lateral um arremesso de peso e um erro de calculo: tudo-tudo uma pseudo perda total mas a gente quer assim
nós na cidade como um erro gramatical
forçando o sujeito a encarar seu verbo
forçando ele a admitir que através desse ato a vida se transforma em algo bestial
quase uma novela manoel carlos
sobe o vinicius de moraes, sobe os créditos, sobe o símbolo imperial do nosso imperialismo poderoso via satélite e digital.
...
mas que pena que tantos pensem como tantos pensam.
esse compendio neurótico e narcisista é sobre deus, nunca foi sobre outra coisa
nunca vai ser,
eu mesmo o ensaio nirvanista da minha falta de personalidade em não saber
a hora em que eu não sei.
de quando o fotografo empunha sua câmera em riste
o ego não pode matar o personagem principal de nossos erros.
a foto não pode chupar nosso falo intestinal nem nossa vontade própria nem nosso falso amor nem nossa discórdia moral
***

hei senhor paparazzi, toque uma canção para mim
o dia está cinza e não mais há falshs sobre mim
hei senhor paparazzi, toque meu queixo assim
o dia está feio e eu já nem me lembro mais por que Deus não veio

hei senhor paparazzi, coloque sua grande angular bem assim
minha expressão deve ser larga,
eu devo parecer estar dormindo

mas quando eu chego tarde
para minha própria vida
o meu eu interior me força
a tocar a campainha.

hei senhor tamburinho, toque mais baixinho
a vizinhança é velha
e não aguenta mais seu cavaquinho

hei senhor lá do nove
você é feio é chato e dirigi e como corre
e fala só asneira enquanto seu nariz escorre

hei senhores feudais,
eu não aguento mais
tá tudo assim, tudo uma bosta e eu não sei mais como rir de costas

hei sociedade do costume,
peguem o dever civil
mandem ele lá
para a puta que o pariu

hei senhor no onibus
se você não vai descer
faça só um favorzinho
e se mande do meu caminho

hei essa música parodiada
eu já não escuto nada
o café perdeu o efeito
eu lá tenho meu defeito
já não posso mais dormir tenho que brincar de existir

hei essa música que não acaba
eu já não vejo quase nada
sou parte da manada
lá fora chove e aqui dentro não se sente nada

hei senhor desabrigado
me desculpe o meu pecado
mas a dúvida persiste
tenho teto tenho tudo
por que então minha cara não muda, me dê um palpite

is anybody out there?...
stuck inside a mobile with the memphis blues
de novo
& de novo
& ao vivo
& antes da enchente
e de novo & again.

sábado, 12 de dezembro de 2009

uma lista-resposta


(briguei tanto por essa foto e eu quase que nem uso)



Enquanto a chuva chovia as árvores vomitavam mil pétalas sobre as calçadas manchadas d’água.
...
eu te amo por que eu te amo.
te amo por que nesse momento eu sou a pessoa mais infeliz, menos gostável e com o nível de racionalidade inexistente nesse quilometro quadrado.
eu te amo por que eu penso e pensar me mata/
trucida qualquer borboleta amarela que cruze o meu andar.
te amo por que te amar é o que de mais bonito eu tenho para oferecer aos vermes quando por fim eu puder me calar à sete palmos.
quando por fim eu puder realizar a metáfora de alimentar com o meu próprio corpo centenas de seres invertebrados e acéfalos.
o mundo é assim:
mas eu não presto para o mundo.
comigo só o meu amor por você e disso o mundo nem precisa/não quer/
talvez até vomite
talvez até regurgite
talvez até me reprima e me questione
mas o por que da pergunta se eu te amo por que eu te amo?
se eu, duro frágil lacrimoso e débil não quero entender nada sobre o grande entendimento?
se eu, feio louco flácido e lotado de angustia angelical recuso aos monges e suas montanhas/
recuso as baixas calorias e a sustentabilidade gastronômica/
recuso o gozo imediato e o princípio do prazer para estabelecer como o foco o principio da realidade & o tântrico trato do diálogo infinito?
recuso ser eu se ser eu te fere
recuso dormir se dormir te fere
recuso a própria recusa quando a única coisa que queremos ouvir é uma enorme saladeira repleta de sim.
eu te amo por que eu te amo.
é quê é muito. Demais de muito. É tanto que eu não tenho aonde guardar.
Estava pensando:
versões do bob dylan são boas, mas não são bob dylan.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

o olho mágico nunca foi tão dramático. nunca.
...
seu João ali estirado & as duas coca-colas no chão-despeçadas para fora da sacola plástica amarela escrita sacolão.
seu João ali no chão & despeçado sem suas duas coca-colas,
sem sua sacola plástica amarela,
sem consciência querendo levantar:
ele não conseguia ver o sangue.
e quando o viu era como se não conseguisse.
"tudo bem, está tudo bem, eu quero ir para minha casa"
não seu João, o circo já está armado/
bombeiro & resgate & sirene & rua fechada & vizinhos nas janelas & carros dando a meia volta & dois militares que não se incomodaram com o cheiro de sala de espera de uma academia brasileira de yoga infestando o corredor & dois bombeiros dizendo que já seguraram até motoqueiro acidentado tentando fugir da cena do assalto mas que - pelo amor- igual ao seu João nunca.
nunca.
Seu João acabou indo de pé sem encostar os pés no chão.
o teimoso carregado pelo saco, imobilizado, sessenta e sete anos imobilizados por músculos e fardas e carro vermelho e sirene de novo e rua livre e vizinhos saindo da janela e carros passando e o sinal ali fechando e abrindo e fechando e abrindo e ficando amarelo mais do que de costume e pessoas chegando e nem ideia do que tinha acontecido ali
boa noite.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

a morte de um personagem deve ser natural como... como o quê, Ana?



a morte de um personagem deve ser natural como fazer coco, se limpar e dar descarga.
soube por intermédio de uma conversa escatológica e etílica que quando utilizamos o papel higiênico para nos limpar ele causa micro fissuras na região anal, o que provoca um acumulo de merda nesses pequenos cortes.
a morte de um personagem, porém, deve ser asséptica.
devemos contar com toda ajuda higiênica possível, não apenas do papel.
é altamente recomendado que um personagem quando morre deva morrer instantaneamente, sem barulho, de uma maneira indolor e isenta de humanidade.
é de se levar em consideração que o personagem nunca existiu, é somente um lapso aberto no tempo-caderno pela ponta da caneta.
fechado o caderno:
vazio e você e a sala iluminada por lâmpadas vermelhas e quem sabe um milhão de cigarros espalhados pelos sete cinzeiros da casa.
ou você fecha o caderno ou você atira de costas duas garrafas de Stella Artois de cima da lage de um edifício de oito andares.
cada um cuida de como e de que jeito quer se
des
prender da vida.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

preso na parada fria do universo


Que triste dia
Não tem poesia
Tem cara feia
E estou preso na cadeia
De uma teia

Nenhum enredo
Sequer motivo
É só um dia de castigo

Que coisa chata
Vou dar um basta
Matar a tapas
Essa desgraça

Vou dar um corte
Ferir de morte
Essa besteira
Isso de qualquer maneira

Mas por favor
Entenda bem
Não se assuste não
Meu bem
O nosso amor vai bem além

E eu nem preciso
de uma música assim,
Você sabe bem
Desde quando a gente disse sim

Vejo como já viu
assim que a porta abrir de novo
eu vou saber que você nunca partiu

sábado, 28 de novembro de 2009

morte ao super ego e outras bobagens

bloco de notas transcrito

Em música, transcrição é o ato de notar uma peça ou um som que era anteriormente não-notado.
O termo 'transcrição' também veio a se referir ao ato de arranjar música que originalmente era escrita para um instrumento ou grupo de instrumentos de forma que possa ser executada por outro instrumento ou grupo de instrumentos. O último significado é quase sinônimo de arranjo.
.
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...
!!!
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-!-
e aí chove e para e começa outra vez
e o sol ali todo bobo, inerte ao movimento circunflexo das gotas
e a gente aqui tudo besta, na ginástica do guarda chuva
(deixemos todos pendurados/
nada mais charmoso do que um guarda chuva bem pendurado)
também, ah, com o perdão da metalinguagem, é sensacional o barulho frenético de um teclado
nobody feels anything
and
this is pain in here
I can't stay in here
Ain't it clear that--
mas passa, sempre passa:
soprando uma pianola encostado na janela: fumando o cigarro escolhido entre outros 19.
como eu posso matar as lagartas que devoram meu jardim se eu fico tão feliz quando vejo uma borboleta amarela?
como eu posso matar o meu pai e casar com a minha mãe se eu nunca fui com a cara do édipo?
god,
why are you so hard?
Like a poor fool in his prime,
Yes, I know you can hear me walk,
But is your heart made out of stone, or is it lime,
Or is it just solid rock?
eu perco meu tempo por você, espero que você possa vir um dia desses.
e se você vier, eu te levo aonde eu sei que você quer ir.
.
.
.
imagine eu, sabendo aonde deus quer ir/ bobagem, eu mesmo posso digitar em cima do bruno e ele nem sente cócegas.
o uno azul segue intacto e inconversível esperando para a fuga número 9/
sem cavalos alados na versão um ponto zero de si mesmo.
relincha cilandradas nas mentes inchadas de flashs automáticos

espere por nós e então a gente pula qualquer hora dessas por dentro das suas duas portas, no seu estofado esfumaçado, no seu painel um bordel, no seu para brisa um catalisador natural de brisa, na sua traseira uma mordida embriagada, na lateral um arremesso de peso e um erro de calculo: tudo-tudo uma pseudo perda total mas a gente quer assim
nós na cidade como um erro gramatical
forçando o sujeito a encarar seu verbo
forçando ele a admitir que através desse ato a vida se transforma em algo bestial
quase uma novela manoel carlos
sobe o vinicius de moraes, sobe os créditos, sobe o símbolo imperial do nosso imperialismo poderoso via satélite e digital.
...
mas que pena que tantos pensem como tantos pensam.
esse compendio neurótico e narcisista é sobre deus, nunca foi sobre outra coisa
nunca vai ser,
eu mesmo o ensaio nirvanista da minha falta de personalidade em não saber
a hora em que eu não sei.
de quando o fotografo empunha sua câmera em riste
o ego não pode matar o personagem principal de nossos erros.
a foto não pode chupar nosso falo intestinal nem nossa vontade própria nem nosso falso amor nem nossa discórdia moral
***

hei senhor paparazzi, toque uma canção para mim
o dia está cinza e não mais há falshs sobre mim
hei senhor paparazzi, toque meu queixo assim
o dia está feio e eu já nem me lembro mais por que Deus não veio

hei senhor paparazzi, coloque sua grande angular bem assim
minha expressão deve ser larga,
eu devo parecer estar dormindo

mas quando eu chego tarde
para minha própria vida
o meu eu interior me força
a tocar a campainha.

hei senhor tamburinho, toque mais baixinho
a vizinhança é velha
e não aguenta mais seu cavaquinho

hei senhor lá do nove
você é feio é chato e dirigi e como corre
e fala só asneira enquanto seu nariz escorre

hei senhores feudais,
eu não aguento mais
tá tudo assim, tudo uma bosta e eu não sei mais como rir de costas

hei sociedade do costume,
peguem o dever civil
mandem ele lá
para a puta que o pariu

hei senhor no onibus
se você não vai descer
faça só um favorzinho
e se mande do meu caminho

hei essa música parodiada
eu já não escuto nada
o café perdeu o efeito
eu lá tenho meu defeito
já não posso mais dormir tenho que brincar de existir

hei essa música que não acaba
eu já não vejo quase nada
sou parte da manada
lá fora chove e aqui dentro não se sente nada

hei senhor desabrigado
me desculpe o meu pecado
mas a dúvida persiste
tenho teto tenho tudo
por que então minha cara não muda, me dê um palpite

is anybody out there?...
stuck inside a mobile with the memphis blues
e de novo
e de novo
e ao vivo
e antes da enchente
e de novo again

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

texto póstumo presente futuro, tantufaz



(esperando godot ou o Edu Chaves)

Ai meu coração Bob Dylan.
varre tudo de mim, em mim, por mim.
fica mais fácil, sabe, quando se tem uma voz de areia e cola para preencher a casa tão vazia.
e ai eu brinco, brinco até a exaustão para não perceber que o tempo não passa.
prefiro os relógios ao chão, o benefício da dúvida temporal, eu sei que ainda faltam horas.
highway is for gamblers, e por isso eu fico aqui, cuidando em ser dono de casa.
casinha de chá.
muito tempo ainda até poder espreguiçar de novo amanhã.
espreguiçarte. espriguiçome. espreguicemos até o final da vida.
sentir todos os ossinhos ócios ossões acordando dentro de tudo.
eu faço parte e não sou dono de ninguém.
Uma instituição coletiva de dois, um país governado a dois ímpetos/
guerra constante de beijos lúdicos, itinerário maleável nas ruas que só descem, cartões postais que ninguém envia, interações internas com o mundo de lá fora.
A esfera que me completa e permeia e digita e respira e queima o chuveiro.
A esfera que me rege, trafega, atende e julga.
uma bolha tridimensional com estrelas de parede que brilham pela noite.
i offer’d her my hand, she took by the arm.
eu soube no instante que a ignorei que eu jamais sairia de sua vida.
perguntas perguntas e mais um milhão de perguntas
por aqui, senhorita, as hipérboles são bem vindas
sobre como aonde e por que eu voltei.
eu voltei por que eu nunca fui.
é impossível sair de onde se permaneceu.
banzo.
na metáfora mais ridícula da minha vida:
você um quadro que me foi pendurado na janela da porta de entrada da minha casa.
eu nunca investi em obra de arte
mas uma obra de arte investi em mim até hoje.
você foi pintada por mãos próprias, mãos de masterpiece/
você nem imagina como eu andei te procurando/ nem pensas, não podes nem sonhar
...& eu ainda tenho tanto para escrever
tanto para explicar
tanto para colocar no diminutivo
tanto para te seduzir eternamente
lembra aquilo de ser idiota enquanto dure?

então, esquece o conceito idiota de idiota no dicionário.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

aristóteles e tal


(notebook: Agora com um culler externo.
tudo mais fresco aonde assim deve estar.)

desde quando eu comecei a servir mesas meu hemisfério esquerdo tem tido folga até mesmo enquanto eu trabalho.
além de estudar o comportamento antes do álcool e depois do álcool em homens mulheres pirralhos e fedelhos e velhas e silicones e neosocialistas e pseudo burgueses e Marx/operários maltratados e cachorros de raça e cadelas sem calcinha e figurões anônimos e comunas enconhacados e professores de casamentos sem sal e mulheres de solterice assumida e opções sexuais turvadas e ...,
nada impede, entre uma porção e um vinho e um barril de seleta, que eu elabore a teoria de mim sobre o mundo.
ninguém lembra do garçom no dia seguinte, nem se incomoda em enviar emails lotados de direitos consumíveis.
as pessoas podem ficar momentaneamente decepcionadas com a cerveja nem tão assim gelada, e só.
de resto é só anotar tudo nas comandas, colocar na comanda-box, passar os pedidos da cozinha para a cozinheira viciada em dorflex, colocar copos aos agregados, retirar copos dos retirantes, perfex com álcool para os babões, guardanapos aos descuidados.
De resto é o resto, juro. Nada nada nada me impede de nadar em mim entre um cigarro e um milhão de cigarros e uma infusão pragmática de erva cidreira.
chá muito quente me faz pensar que eu deveria esquentar menos a água.
veja a simplicidade da sinapse. Tudo isso gracias a mi tiempo vago mesmo quando eu ganho meus trocados.
e também tem a história de que alguém me escolta na mesa um.
comentários simultâneos a realidade ganham status de paralelismo verossímil.
(o mesmo paralelismo verossímil ausente dos anos 80)
ah
essa moça da escolta armada agora escreve e lê em público. Até cruzadinhas ela faz.
os restos do bolinho de arroz serão comidos pelas pombas órfãs de milho-migalhas-velhinhos.\ isso em que eu trabalho não é um bar, e sim aquelas praças gregas com colunas gregas e pensadores gregos tentando alcançar algo que o mundo descobriria mil anos depois se tratar do barroco.
ah
Mario Quintana, que saudades de você, e pensar que a rosa segue sendo a última novidade da primavera.
ah
fico feliz de saber que o amor não acaba quando dois seres compartilham as mesmas leituras.
o casal existencialista falhou, por isso mesmo a conduta de capa pessimista e último capitulo otimista.
Eu ouço tudo e, em breve, gravaremos.
ah
medo é para aqueles que acreditam: medo sem fé não passa de anarquia regrada.
que susto não levariam as carolas de domingo se descobrissem que deus de fato existe.
ah
eu continuaria aqui a tarde toda, mas.
tanta coisa para não fazer...

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

todo dia o sol levanta


de que adianta meio dia se todos meus amigos dormem?/ se todos os porteiros me fazem esperar?/se os interfones não atendem?/ se minha agenda se resume a calçada e quanto mais eu ando mais eu canto mais eu canso mais o sol se põe a pino e minha sombra some umbigo abaixo...? de que adianta toda essa disposição que eu tenho para com o mundo se o mesmo me responde à seco e sem nuvens?
a discografia perfeita não me comove mais, se só eu posso escutar alguma coisa está errada.
se aumento: multa.
Nem tocar mais a campainha as pessoas tocam.
elas se incomodam, guardam rancores em potes de margarinas, regam suas violetas com indiferença e me enviam uma notificação por debaixo do capacho.
vida de merda mas eu mereço, eu mereço porque a felicidade vem com implicações e implicações são quase problemas e quase problemas quase me tiram do sério,
mas ai tem a dona da casa de chá mais sexy da cidade de são Paulo-brasília, tem ela toda semana, todo final, todo meio de começo e todo filme que eu nunca nem pensei que.
mas existe.
e eu que sempre durmo ao som do telecine Cult (ui) hoje tenho um sofá que vira cama e desvira a gente e vira qualquer coisa.
as baratas insistem em aparecer sem prévio aviso e as formigas putas da vida agora tem sabão de coco para lavar até a alma do formigueiro que se esconde atrás da pia da cozinha.
cigarra que é cigarra não canta, fuma o seu progresso/
e as borboletas amarelas, antes artigo vintage Fernando de Abreu, agora sentam praça na cavalaria.
o que isso significa, Jorge bem sabe.
se Caetano cantou também, é por que deve saber.
bicho, a vida é jóia quando se transa a vida/ a vida se transa quando jóia é a vida-bicho:
quando se liga para o Bruno e aí é só esperar o uno azul
quando se tem alho, tomate e salsinha
quando se pode ralar parmesão em cima de tudo
quando Jerry Lee Lewis abusa do piano como se ele fosse apenas uma meninha de 13 anos.
massa é comer macararão de verdade/
para aqueles que buscam o prazer instantâneo de 3 minutos recomendo:
esperem quinze e eu juro que é mais gostoso.
aquilo que não pode esperar 15 minutos não vale a pena ser vivido.
chove muito na minha janela. e isso me faz lembrar que eu trabalho hoje.
um dia: vanish. e eu levo a casa de chá e a dona e eu-vizinho e o vinho e

e hoje em dia, como é que se diz?



I got a shot of love and now I feel a little spaced out.
I got a shot of you, a shot of whiskey, a shot of movies,
a shot of Dylan, a shot of cigarettes, a shot of time, a shot of being together
and nothing-nothing and no one can say anything about
my bad English, my lousy poetry, my age of Aquarius.
you were born in spring and I was born too late,
but it doesn’t matter, we've got a simple twist of fate:
we got the 6 th floor to hold it and put it all together.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

larangim



Gim com laranja: como nunca dantes tomado, virado, sugado, sorvido do enorme copo plástico que aceita tudo que eu bato no liquidificador.
gim com laranja lima, pêra, bahia, seleta/ gim com tangerina.
quanto mais desempregado eu fico, mais eu percebo minha vocação alcoólatra .
o vidro de listerine segue intacto. Por enquanto.
gim com gelo, gelo com gim, gim gelado com gelo raspado: raspadinha de mim.
sempre que eu bebo lembro que eu não posso esquecer.
eu não bebo para sentir, eu não bebo para ver, eu não bebo para interagir, eu não bebo para beber:
é tudo- tudo um simples preenchimento de ócio burocrático que me atinge e me abate em uma tarde pragmática de uma terça feira cinza mas abafada.
gim como eu te quero gim.
as plantas regadas, o vermífugo aplicado, a cama esticada, a roupa estendida, a televisão desligada, o chuveiro pingando, o lixo fedendo, meu pé encardido, a bicicleta estacionada e Janis Joplin gritando mais do que de costume em meus ouvidos.
se eu ao menos pudesse tocar na minha vida só um pouco, mas sempre existe a anestesia:
os primeiros goles são reveladores de caretas e fuças e faces: ignorâncias de espelho.
os goles do meio são o intermédio da bebedeira anunciada para ninguém.
(e se eu escrevo sobre é só o medo de estar sozinho)
os goles finais me deixam triste e com uma pressa danada, se for para terminar que logo termine.
odeio restinhos e golinhos e misérias nobres.
anestesia geral e constante e magnífica até minha cabeça começar a latejar.
a estação seca, o sol seco, o asfalto seco/nada colabora para minha vida vadia.
o tempo segue se movendo, os amigos seguem a marcha da virada de costas, meus pais neoróticos continuam em neorose compulsiva.
minha gata ganha peso e cada vez menos vejo ela.
que coisa,
e eu ainda tenho meia garrafa,
a pena é que me faltam laranjas.